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A maioria de nós consegue lembrar pelo menos uma vez quando um grupo ao tomar uma decisão, em prol de uma adorada harmonia, deixou de lado ideias e opiniões individuais e seguiu por um caminho não muito racional. Esse tipo de disfunção na tomada de decisão, que em inglês é chamado de groupthink, damos o nome de Pensamento de Grupo.

Muitas pessoas já estudaram a fundo este fenômeno e dentro de nossas expedições encontramos um laboratório perfeito para observar e entender como ele ocorre ou como pode ser evitado.

Primeiro vamos relatar os sintomas mais comuns.

- Superestimação do poder e moralidade do grupo. “Sim, nós somos bons em todos os sentidos!”

- Falta de abertura a novas ideias, sempre ignorando ou racionalizando qualquer questionamento sobre a falsidade dos pressupostos do grupo.

- Pressão para ter uniformidade. Além de autocensura as vezes aparecem os guardiões do consenso, elementos que inibem qualquer membro “desleal”

As causas mais comuns são:

-Uma excessiva valorização da união do grupo. A coesão do grupo se tornou mais importante que a expressão individual de opiniões.

-Existem falhas estruturais, tais como baixa diversidade de participantes, líder muito controlador, falta de normas e práticas que evitem o Pensamento de Grupo.

-Ambiente muito estressante com recentes falhas e dificuldade em processos de tomada de decisão e resolução de conflitos.

 
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As melhores estratégias para prevenção, são:

- Crie um ambiente onde os conflitos não são evitados.

- Defina métodos onde todos colocam suas posições ou ideias iniciais no papel ao mesmo tempo e somente depois elas são reveladas.

- Como líder, encoraje as pessoas que pensam radicalmente diferente e se necessário eleja uma pessoa para ser o “advogado do diabo” para questionar as decisões com mais insistência.

- Duvide sempre da capacidade do grupo em tomar decisões racionais e esteja sempre disposto a rever uma decisão.

Se você somar o fenômeno do Pensamento de Grupo com uma considerável falha em comunicação, você atinge situações bizarras e frustrantes, tais como o paradoxo de Abilene exemplificado pela história abaixo:

Numa tarde quente em visita a Coleman (Texas), uma família está confortavelmente jogando Dominó no alpendre da casa, até que o sogro sugere um passeio a Abilene (Texas), que fica a 53 milhas, para jantar. A esposa diz, “parece uma boa ideia”. O marido, apesar de ter algumas reservas quanto ao calor e a distância, imagina que sua opinião pode estar em desacordo com o grupo e diz “por mim tudo bem. Apenas espero que sua mãe queira ir”. A sogra então diz “claro que eu quero ir. Há muito tempo que não vou a Abilene”.

A viagem é longa, empoeirada e quente. Quando chegam na cafeteria, a comida é tão ruim quanto a viagem. Eles chegam de volta em casa quatro horas depois, exaustos.

O genro fala desonestamente “Foi um bela viagem, não foi?” A sogra diz que, na verdade, ela preferia ficar em casa, mas concordou em ir já que os outros três estavam tão entusiasmados. O marido diz “Não me agradou fazer isso. Só fui para agradar vocês. A esposa diz “Eu só concordei para deixá-los felizes, imagina se eu queria sair em um dia quente como esse!” O sogro então diz que ele só sugeriu pois achou que todos estavam entediados.

O grupo perplexo se dá conta que juntos eles decidiram fazer um passeio que ninguém queria fazer. Todos preferiam ficar e aproveitar a tarde que já acabara, descansando.

Para ler mais sobre Pensamento de Grupo e ir além (em inglês)

http://liquidbriefing.com/twiki/pub/Dev/RefAldag1993/beyond_fiasco.pdf
 
 
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